quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O Ídolo - Parte 1 de 2

Olá pessoal, nestes ultimos dias não tenho tido tempo para fazer minhas postagens e o blog ficou sem atualização.Mas hoje trago a vocês a primeira parte de mais um conto de minha autoria.Em breve irei continuar com o terceiro capitulo de O Necromante e muito mais.Não deixem de visitar o blog e participem deixando seus comentarios e seguindo o blog.


O Ídolo
  
Nestes vários anos trabalhando como arqueólogo, já me defrontei com diversos casos intrigantes e misteriosos, mas recentemente encontrei um objeto perturbador, que vêm me despertando um misto de curiosidade e medo.O objeto em questão é uma carta datada do século XVII.Ela foi encontrada dentro de uma garrafa, enterrada à cinquenta centímetros da superfície sob uma cruz de madeira, em uma ilha do mar do Caribe próximo à costa de Porto Rico.Esta carta parece estar ligada, de certa forma ao navio espanhol La Paloma, que naufragou em 1647 à quarenta quilômetros desta ilha, cujos restos foram encontrados ano passado.
A forma como a carta foi encontrada, não deixa dúvidas de que o seu autor pretendia criar uma cápsula do tempo rudimentar, para que sua historia fosse preservada.Como você, meu caro leitor, pode conferir na tradução abaixo, a carta conta uma historia bizarra e de difícil credibilidade.O senso de razão, não nos permite crer nos fatos apresentados por seu autor e nos resta atribuir tais narrativas fantasiosas, tão somente à delírios provocados pela mente abalada de um naufrago à beira da morte.


“Meu nome é Ernanes S. Pinhado, escrivão e contador do navio mercante espanhol La Paloma, e este é o ultimo registro de viagem da minha vida.Tudo o que aconteceu a nossa tripulação não é outra coisa senão um merecido castigo por nossos pecados.Tudo começou quando encontramos por acidente aquela terra estranha que alguns marujos acreditaram se tratar do fabuloso ‘El Dourado.’Não encontraríamos tal lugar se não tivéssemos que recarregar nosso suprimento de água doce antes de partir do continente americano.Havíamos partido de La Vela de Coro carregados de café e cacau e após navegarmos por várias milhas, descobrimos que nossa água estava contaminada, quando alguns de nossos marinheiros tiveram fortes crises de vômitos e diarreia.Como já estávamos bem ao norte  do porto de Coro, o capitão decidiu procurar uma fonte de água doce em alguma ilha próximo a Porto Rico.
Na manha de um domingo, avistamos uma ilha que não constava em nossos mapas, bem ao sul  do arquipélago principal.O capitão então decidiu aportar ali e procurar alguma nascente.Um grupo de três homens se encarregaram de explorar a mata da ilha em busca de  uma fonte de água.Passaram-se sete horas antes que retornassem ao navio extremamente eufóricos .Os homens disseram ter encontrado uma maravilhosa cidade de pedra na floresta, onde viviam nativos com uma cultura avançada.Eles disseram que os nativos não eram agressivos e falavam uma língua estranha, mas nossos marujos se fizeram entender com gestos e algumas palavras semelhantes a língua Maia, que Jean Cardenha, o imediato do La Paloma, que acompanhou o grupo conhecia de viagens ao território da Guatemala.
Nosso capitão, Diego Carpintosa, decidiu que deveríamos seguir até a cidade para verificar aquilo que os exploradores relataram.Caminhamos por um longo trecho de floresta até encontrarmos um grande planalto à leste da ilha.Ficamos surpresos ao encontrar ali a maravilhosa cidade de pedra relatada por Jean e os outros.Fiquei estupefato com a arquitetura totalmente estranha a tudo que conhecia.Havia altas pirâmides com escadarias que levavam ao topo  e outras estruturas quadradas.Também existiam muitas outras estruturas em madeira, que mais tarde descobri ser onde os nativos viviam, e as estruturas de pedra eram templos de adoração.Naquela cidade no meio da floresta viviam cerca de oito dezenas de pessoas, entre homens, mulheres e crianças.Eles usavam roupas feitas de palha e penas cobrindo apenas as partes baixas do corpo e ornamentos enfeitando o alto da cabeça.
Quando nos viram, um dos nativos que parecia ser o líder, se aproximou de Jean e com gestos e algumas palavras maias, tentavam entender quem eram as outras pessoas que acompanhavam os três homens já conhecidos.Jean mostrou cada um de nós e disse nossos nomes.Dai o capitão se aproximou e entregou alguns presentes ao nativo.Basicamente os presentes constituíam-se de bugingangas sem valor, como espelhos,cantil,algumas roupas e uma luneta.
Em poucas horas, tínhamos ganhado a confiança daquela gente e vários deles, incluindo muitas crianças curiosas, estavam ao nosso redor se divertindo com nossas brincadeiras.Quando a noite caiu, o líder nos ofereceu comida e uma casa onde passar a noite .Naquela ocasião eu estava muito empolgado e jamais passaria por minha cabeça o horror que estava por acontecer  ainda antes do nascer do sol.
Nosso infortúnio começou quando Diego viu o ‘Ídolo’.Ele precisou sair da casa no meio da noite para fazer suas necessidades e ao olhar para a pirâmide no centro da cidade, viu um brilho dourado que a luz da lua crescente refletia em alguma coisa no alto da estrutura.Aquilo despertou nele uma grande curiosidade e o impeliu a chegar mais perto e ver o que causava aquele brilho.Ele atravessou a cidade, que dormia em um sono profundo e subiu as escadas daquela pirâmide de pedra ate chegar ao topo.Ali havia uma pequena sala, com o teto sustentado por quatro pilares, um em cada vértice e sem paredes entre eles.No meio da sala estava a origem do brilho dourado.Uma estátua de um ser humanóide de ouro maciço com pedras preciosas incrustadas.A figura não era exatamente humana, pois apresentava proporções um tanto quanto distorcidas.Sem duvidas, a representação de um  deus pagão do povo da ilha.
A estátua representava uma figura com pernas muito curtas em relação ao corpo e braços muito grandes, quase tocando o chão com garras semelhantes as de uma águia.A cabeça era muito grande e oval.Não apresentava nenhum vestígio de nariz e a boca era muito pequena e sem lábios, como um rasgo.Também não tinha orelhas ou representação de cabelo.Mas o que mais chamava a atenção era os olhos.Dois grandes olhos feitos de jade.Pelo corpo do ídolo havia adornos de diversas pedras preciosas, entre elas um grande diamante no peito.
A visão de tamanha riqueza despertou em nosso capitão um diabólico sentimento de ganancia e insensatez.Sua cobiça o fez decidir tomar para si aquela preciosidade, então voltou silenciosamente para a casa onde dormíamos e despertou um a um cada membro da tripulação e contou seu plano de levar dali a estátua antes do dia amanhecer.Então nos o seguimos silenciosamente pela cidade até o topo da pirâmide, evitando ao máximo fazer qualquer barulho para não acordar os nativos.Todos da tripulação ficaram perplexos ao admirar a figura do ídolo.Em pouco tempo nós nos pusemos à trabalhar para remover a estátua com intuito de levá-la para o navio.
Quando retiramos o ídolo de seu pedestal nosso trabalho foi interrompido por um grito que ecoou pela cidade:
-Kapend urlla!!!
Foi então que uma flecha vinda de não sei onde atingiu o pescoço de Renan G. Dias,um de nossos estivadores,pondo fim a sua vida em poucos segundos.Em poucos instantes todos habitantes da cidade vieram correndo em direção a piramide, armados com arcos e lanças de madeira.O que se seguiu a este acontecimento não foi uma batalha entre os nativos e nós.Foi apenas uma brutal e covarde chacina.Se de nossa parte contávamos com espadas e armas de fogo, os nativos possuíam apenas as armas rudimentares que eu citei.Nossa única baixa foi justamente Renan, que foi pego de surpresa, fora ele houve apenas alguns machucados sem perigo em alguns marujos.Já o destino do povo da ilha foi trágico.Nossa ganancia nos deixou cegos e quando a razão retornou, tínhamos matado todos eles, sem exceção de crianças  ou mulheres, acabando assim com toda uma civilização.

Terminado o banho de sangue, seguiu-se um saque à todos os tesouros que encontramos na cidade.Levamos para o navio vários quilos de artefatos esculpidos em ouro e pedras preciosas, que deixariam toda a tripulação mais rica que a maioria dos mortais.Além é claro do ídolo, que por si só valia uma fortuna inestimavél.O dia já estava claro quando terminamos o carregamento do navio com o saque e ainda passamos outras horas carregando os tonéis com água potavél antes de nos lançarmos ao mar. Naquela noite os homens brindaram e festejaram o tesouro conquistado e embebedaram-se talvez por felicidade ou talvez para esquecer a culpa.

1 comentários:

Anônimo disse...

Muito interessante este relado. :)

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