sexta-feira, 1 de março de 2013

O Ídolo - Parte 2 de 2

Pouco antes de três horas da manha todos os homens já haviam se recolhido em seus quartos e o capitão recolheu-se sozinho em sua cabine onde guardara o ídolo.Eu não sei quanto tempo dormi naquela noite, mais sei que foi muito pouco, pois a escuridão ainda encobria o oceano quando um horrível grito vindo da cabine do capitão despertou do sono e embriaguez todos de nossa tripulação.Em poucos instantes toda a tripulação inclusive o imediato que abandonou o timão, estava frente a cabine tentando arrombar a maciça porta que o capitão mantinha trancada.De dentro continuava os gritos horríveis de Diego sendo torturado.Sua voz emitia um terrível som gutural, como se não conseguisse mais pronunciar uma palavra natural.

Sem conseguir arrombar a porta e apreensivo com o que estava ocorrendo,Ruan Guido o  contra mestre ,sacou sua pistola e atirou na tranca, conseguindo assim abrir a porta.Antes aquela porta nunca tivesse sido aberta.O que eu pude ver ali no pouco tempo que dispus antes de sair correndo foi algo terrivelmente perturbador.Nosso capitão estava totalmente desmembrado e seu sangue escorria por varias partes de seu corpo.O motivo de não pronunciar palavras inteligíveis pode ser explicado pela falta da língua, que estava agora no chão da cabine.Mais estarrecedor ainda era o motivo de seu estado.O Ídolo terminava de separar seu pescoço do tronco quando abrimos a porta.Nossas mentes lutavam para absorver aquela cena quando em um movimento surpreendetemente rápido para pernas tão pequenas o ídolo atirou-se contra Jean Cardenha que não conseguiu fugir de suas mãos douradas.Ali mesmo em nossa presença a abominação começou a despedaçar nosso amigo.Alguns homens ainda tentaram ferir o ídolo com espadas e mesmo tiros, mas tudo foi em vão.Nem mesmo uma expressão o maldito esboçou.Aquilo não sentia dor ou compaixão.
Quando constatamos que não era possível vencer aquela criatura, fugimos o mais rápido que nossos pés conseguiram dali.A tripulação dividiu-se por várias partes do navio, procurando se esconder daquela maldita coisa dourada que esquartejou o capitão e Jean.Eu me tranquei em meus aposentos, junto com Ruan e George, o cozinheiro.Trancado ali dentro não pude ver o que se passava mas, nestas situações nossos ouvidos se tornam tão aguçados que conseguimos recriar com precisão os acontecimentos através do som.Eu consegui ouvir varias portas se trancando e os passos metálicos do ídolo se movendo pelo La Paloma.Depois ouvi o barulho de uma porta sendo arrancada das dobradiças e sendo jogada longe, então mais gritos ecoaram pela embarcação.Marujos choravam como crianças e outros rezavam pedindo perdão por seus pecados.Mais sons de porta sendo arrancadas e mais gritos.Cedo ou tarde o ídolo chegaria até nós.Não posso negar que eu e meus companheiros também não estivéssemos tão  aterrorizados como os outros.
Os momentos trancados naquele quarto pareceu uma eternidade, mas não duraram menos de uma hora.Com certeza aquele monstro teria arrancado a porta de cada cabine do navio e matado um por um, mas seu intento foi bruscamente interrompido quando um grande impacto fez o navio todo chacoalhar e ranger e então fomos jogados contra a parede.Depois a embarcação começou a tombar de lado.Não era preciso pensar muito para saber o que aconteceu.Com a morte do imediato e do capitão e toda a tripulação se escondendo de medo, o navio ficou a deriva com as velas hasteadas e havia se chocado contra alguma coisa em alto mar, que mais tarde eu descobri ser uma ilhota de pedra.
Após o impacto, o navio começou a afundar rapidamente e apesar do medo de abrir a porta, não nos restava outra alternativa à tentar escapar do naufrágio.Eu peguei alguns pertences na sala que julguei serem importantes caso conseguíssemos nos salvar e os coloquei em uma sacola.Depois destranquei a porta e nós saímos do quarto e seguimos para o convés.Não foi fácil nos movimentar com o navio tombando, mas conseguimos alcançar os botes sem encontramos o monstro em nosso caminho, apenas seu rastro de destruição.Encontramos um único bote inteiro, pois os outros haviam caído no mar e estavam danificados com o impacto.Subimos no bote e nós lançamos ao mar.
Não sei se além de nos três, sobrou algum vivente do La Paloma que possa confirmar minha historia.O quê sei é que não vimos outro bote além do nosso sair do navio.Por muito tempo gritamos e procuramos na escuridão do Alântico por sobreviventes sem sucesso.
Nosso plano era tentar remar de volta até a ilha.Por mais de dois dias navegamos sem rumo naquele bote com minimas provisões sem saber ao certo se estávamos na direção correta, pois não dispúnhamos sequer de uma bussola.Chegamos enfim a encontrar esta pequena ilha que aqui estou.Não é a mesma ilha da cidade d’El Dourado, mas por hora é o nosso porto seguro.
Meus companheiro têm a esperança de sobrevivermos aqui até um navio passar por estas águas e nos resgatar.Eu ainda não contei a eles, mas já não compartilho desta esperança.Eu sei que nossas vidas não serão poupadas por um longo tempo, pois ao cair da noite eu o vi.Deste ponto de observação no penhasco, sob a luz da lua cheia eu vi um brilho dourado sair do mar e caminhar em direção à arrebentação."

0 comentários:

Postar um comentário

Opiniões, críticas e sugestões são bem vindas.Comentários contendo racismo,apologia a crimes,spam, ofensas pessoais e condutas inapropriadas serão apagados.